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sobre estados de alma e outras insignificâncias... :)

hoje tenho frio! tenho frio como há muito não tinha. um frio que me gela as mãos e me faz ter vontade de voltar logo para casa. mas gosto destes dias. entre o sol e a chuva, serenos, práticos. servem para nos lembrarmos que há mais na vida do que os dias descomplicados do verão. servem para nos recolhermos, em todos os sentidos da palavra, descansar, levar a vida mais devagar e mais para dentro. eu sou, como já devem ter reparado, uma digna filha do outono. das cores que prefiro usar ao prazer com que vivo o recolhimento da minha casa, no meu sítio, no meu espaço. não deixo de certa maneira de ser, ainda à imagem do outono, de vez em quando uma explosão. não será de cores, mas... :-)

 

gosto, gosto muito destes dias e destes meses. das mantinhas quentes e lindas, das chávenas sempre cheias de chá. das mil e uma receitas de bolos saborosos para o lanche, das compotas, dos pratos de cores vivas e sabores fortes desta estação. gosto da cozinha, de cozinhar, de alquimia, quer se trate de comer, de beber, de... gosto das tardes divertidas, dos sorrisos da minha cirança, dos dois animais travessos lá de casa, que são afinal, à imagem dos humanos que por lá vivem também, seres calmos e felizes. gosto de ter chegado a este outono com a consciência plena que, se abri mão do que quer que seja, foi em prol disto, desta harmonia, desta felicidade, de estar a construir, ao meu tempo, o nosso lar.  

 

há momentos que não têm preço, por muito que se queira pôr preço a tudo na vida. há sorrisos e silêncios e momentos de perfeita cúmplicidade que valem só por si todo o resto desta (já?) longa caminhada, todas as curvas, as ruas sem saída, todas as encruzilhadas. há AMOR. sem o qual tudo é apenas nada. 

 

   

 

 

 

 

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10
Set13

lentamente...

por Lazy Cat

o Verão começa a despedir-se. já se nota, já se vê (cada vez menos) e já cheira a fim de estação. gosto muito do Verão. adoro calor! mas há um je-ne-sais-quoi no Outono que faz com que seja a minha estação favorita (algumas estações de comboio italianas também são das minhas favoritas, embora tenha pouco a ver...ou terá?). é tempo de voltar para casa, de nos voltarmos para dentro, e se há coisa de que eu gosto é de mimos e de estar em casa. como os gatos, gosto de sair, ir dar uma voltinha, ver o mundo cá de cima do muro, sobretudo naquelas horas incertas e depois, voltar, como o Outono se instala, lenta mas seguramente, sem vestígios de pressa. 

 

foi neste fechar de estação que percebi que há caminhos que não pretendo voltar a trilhar. não estou a abrir mão de nada. simplesmente, uma vez que a vida é feita de patamares, passei para outro patamar. oh L.! não me venhas cá com coisas! não é nem acima nem abaixo, é outro! já te disse, dançar até não poder mais? sim! beber? até te perder de vista?! nops! não me lembro da última vez que o fiz e não me apetece. mas, receber e visitar amigos? cozinhar com amor e carinho, com vontade, com gosto, receber com prazer e alegria, demorar um dia inteiro a preparar um jantar? SIM!! passar uma semana inteira a pensar no prato, no vinho, nas entradas e tal...oh sim! sim!!sim! e depois café e digestivo, fora ou dentro em boa companhia...sim, disto eu gosto, disto eu não me canso e jamais me cansarei. 

 

um restaurante novo? com certeza! cinema? nã, nem por isso, geralmente mal me sento, adormeço! teatro? já fui. já vi. ah! esse ainda não, vamos! e ir ao mercado, ao sábado de manhã. e trazer um cesto colorido, de aromas e sabores e promessas apenas secretas de novos e doces prazeres...e os livros! e escrever metros e metros de fantasia...eu sei que é preciso destralhar mas juro, sim, eu juro, que os livros se multiplicam sozinhos! se não é isso, sou sonâmbula, porque nesta casa, em pouco mais de dois meses, cresceram mais de vinte livros nas prateleiras. sendo que só não li três deles...e acima, de tudo, pelo canto do olho, como quem não está a dar por nada, ver que o meu filho se está a tornar no mais fantástico dos rapazinhos...e, ao contrário de tudo quanto seria de esperar, ficar genuinamente feliz que tenha aprendido tanto contigo...e então, lá do fundo de onde vêm as coisas boas, desejar que o Outono te traga calor e abrigo em forma de sorriso. e virar novamente a página, agradecida pelo privilégio de ser mimada pela vida. 

 

há uns bons anos atrás, encontrei um texto que falava de como o esperar sem estar à espera, este lento suspirar por alguém sem muitas vezes saber bem quem, este desejar sem nome, (longing, em inglês) era uma coisa marcadamente feminina e como as mulheres se prestavam a fazê-lo como se estivessem muitas vezes não apaixonadas ou desejosas da pessoa mas da própria ideia de ter alguém por quem esperar, aguardar, suspirar...durante muito tempo fui pouca dada a romantismos, os filmes que faziam ou outros chorar faziam-me rir e não percebia muito bem duas coisas maravilhosas que hoje entendo, sinto e pratico de alma e corpo e coração: a ternura e a fragilidade. (isso, sim, ando por aí armada em coitadinha, a fazer olhinhos de cão triste e a lamber as patas dos cães e a queixar-me da minha vidinha...! tenham dó!) 

 

é tão bom praticar a ternura! a ternura do sorriso, do abraço, do olhar que se demora...serei lamechas se o for não deixar de tocar em quem se gosta, levemente, com carinho, numa carícia que o não é, mas diz "gosto de ti" baixinho. ou então serei áspera e azedinha....assim quase quase "colherzinha ferrugenta"...ou serei um ser frágil e delicado, que se deixa levar pelos ventos de todos os lados, a eterna coitadinha, para quem a vida era tão melhor quando...seria tão mais feliz se...não, meus caros, não é desta fragilidade que se trata! mas daquela que dá espaço ao outro para ser...é assim com o Outono, um recolher de garras quase furtivo...e mais não digo. 

 

 

 

 

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