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Filha da noite

07.08.14

é nela que me encosto e me deixo ficar. Sempre nela que jamais me canso de estar e, sempre nela que escrevo a vida em todas as suas cores, por vezes embalada por lareiras acesas, por vezes lavada em lágrimas e tristezas. Filha  da noite, em todas as circunstâncias, de certeza. É nela que me encontro, que me perco, que te roubo, te devolvo...que sou e sonho. E me faço maior do que me imagino...

 

 

 

 

 

 

 

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fragilidade

04.02.14

talvez seja só a mim que passam ao lado uma série de coisas. uma das que me tem passado ao lado ao longo da vida, é a fragilidade. as fragilidades do outro. dos meus outros. dos outros seres da minha vida. talvez seja demasiado centrada em mim, talvez tenha demorado a despertar, talvez...talvez tantas coisas! 

 

perder de vista ou não ter de todo noção da fragilidade do outro, e sei bem que contra mim falo, é uma espécie de egoismo. podem haver milhares de desculpas, razões e justificações. este facto não se altera: quando temos noção da fragilidade do outro, de todos os nossos outros, filhos, pais, maridos, amigos, irmãos, tornamo-nos melhores filhos, irmãos, amigos, mulheres e mães para eles. sim, requer disponibilidade. e vontade. e muito amor. ♥

 

a imagem é daqui

 

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adiar - a dia - ar

22.01.14

tudo faz sentido em conjunto e em separado. é uma coisa que fazemos porque sim, porque não apetece, passa a oportunidade, deixa de ser importante, deixa de fazer sentido ou apenas para nos permitir respirar, encher o peito de ar e seguir. ou então é defeito mesmo e aí...pouco haverá a fazer. tenho por hábito adiar algumas tarefas, como limpar as caixas de entrada de e-mail e outras, com a desculpa de que quero ler antes de apagar. na realidade, só acabo por ter muito mais trabalho mais tarde porque na maioria das vezes, já nada do que deixei por ler me interessa quando lá chego...no entanto, há excepções. 

 

a 9 de novembro de 2012 escrevi a seguinte nota: sobre a generosidade, a gratidão, a solidariedade e outras coisas menores. lembro-me perfeitamente da ironia do meu sorriso ao escrever estas últimas palavras. na linha seguinte tenho: a educação, o respeito, a mentira e a lealdade. a amizade e os afectos. nunca cheguei a escrever sobre todas estas coisas como tinha pensado fazer. hoje, vá-se lá saber porquê, resolvi limpar várias coisas, papelada, tralha de todos os géneros, e também o bloco-notas do iPhone. hoje, também ao encontrar esta nota, a mais antiga de todas, lembrei-me da importância da lealdade e de como sou leal a pessoas que o não têm sido comigo. o que me leva a falar de educação, de respeito e também de uma outra coisa: valores. 

 

mas voltando a esta coisa da lealdade, que só por si já dava para um tratado, tenho a dizer que não compreendo que alguém que um dia dissemos amar, com quem partilhámos a vida por algum tempo, alguém que nos fez sorrir, rir, sonhar e é certo, também chorar, deixe um dia de merecer a nossa lealdade. se não a pessoa em si e tal como é hoje ou como age no presente, acho que devemos ser leais ao que foi a nossa vida em comum, curta ou nem tanto assim, mais ou menos íntima e jamais atirar voluntariamente para a lama a pessoa, seja em que circunstâncias for. reconhecer os defeitos da pessoa não implica nem que ela seja de repente um inimigo a abater nem sequer um inimigo. passou pela nossa vida, por momentos viveu connosco e, para mim, destratar essa pessoa, por mais que possa agir ou ter agido mal, é destratar aquilo que, a determinada altura, escolhemos viver com ela. 

 

tenho muito pouco de santa, mas acredito ser boa pessoa. não no sentido poético e patético da boazinha. mas acredito que há sempre muitas coisas boas nas pessoas, mesmo nas que apenas mostraram o seu pior ou trouxeram ao de cima o nosso pior ao passar pelas nossas vidas. isto é fruto, também da educação. da educação emocional. que não se faz com palmadas, castigos e recompensas mas pelo exemplo. felizmente, tenho e sempre tive à minha volta bons exemplos de gente sólida e ainda assim meiga, forte e ainda assim frágil, franca e por isso mesmo, doce. 

 

amigos e amigas passaram pela minha vida, namorados, marido, companheiro. entraram, iluminaram por momentos o meu caminho, partilharam o meu caminho de maneiras várias e saíram. de outras vidas, eu saí. todos foram importantes e por todos tenho um carinho especial. às vezes com saudades de quem não vejo há muito, outras vezes com compaixão, outras ainda com sentimentos que ainda me fazem cerrar os dentes e de que não me orgulho tanto assim, vou-me lembrando. e, quanto mais o tempo passa, mais ficam apenas os sorrisos e os abraços, os beijos, as ternuras, coisas boas, muito boas, que acarinho e espero nunca esquecer. 

 

e hoje, mais de um ano depois de ter decidido falar de generosidade, gratidão, solidariedade, educação, respeito, mentira, lealdade, afectos amizade e outras coisas menores, acho que consegui. se bem que falte dizer muito! tanto tanto, aliás! sou grata por todas as pessoas que entraram na minha vida até agora, por saber o que é  a lealdade, a amizade, o respeito e a generosidade ainda que muitas vezes tenha tido que provar ( e ver) os contrários para saber definir todas estas palavras e sentir tudo aquilo de que hoje sou capaz! 

 

 

 

 

a imagem é daqui e o texto que a acompanha vale muito a pena ser lido (está in english, of course). 

 

 

 

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descobri

26.11.13

que nem sempre o que nos parece mau traz um mau resultado, que é mesmo uma questão de nível (qualidade), não de classes, que sou muito rápida a julgar os outros mas, também, que não censuro ou condeno; julgo ou avalio com as medidas que tenho e não sinto a necessidade imperiosa de gritar a quem quer que seja que está a fazer isto ou aquilo mal; cada qual sabe de si. descobri que invejo certas coisas, sem saber o que está por detrás delas e que tenho saudades de algumas pessoas. descobri que é possível viver sem tudo ou com quase nada, mas que o dinheiro (ter asseguradas as despesas básicas e algum conforto) traz uma calma diferente à vida: é mais fácil ser-se atencioso e generoso, é mais fácil ter atitudes altruistas ou simplesmente corteses quando não estamos constantemente à procura de uma solução para resolver um problema básico. descobri também que neste país impera o "não sei". ninguém sabe de nada e nem quer saber. e é assim que andamos, ao sabor de gente que se está nas tintas, por mais que lhe cortem o salário, porque há ainda o suficiente para tudo e, se porventura faltar, haverá gente sobre quem descontar a frustração, a raiva e a impotência, tendo comportamentos absolutamente grotescos e que só por si deveriam dar azo a um processo disciplinar, mas não dão, e ficam os de sempre, contritos, à espera de um pedido de desculpas que jamais virá. descobri que, de mãos dadas o caminho é mais leve. não que os obstáculos se diluam, mas sim porque, para saltar por cima de cada um deles, é mais fácil ter uma mão que apoia a nossa. descobri que avalio os outros pela escrita. como dizem, mais do que aquilo que dizem, porque se pode falar de "tretas com m" com requinte e brilhantismo, havendo inteligência. optei por não ter corrector ortográfico neste blog e passo um pouco por cima das regras, mas venho muitas vezes editar textos com gralhas, para as corrigir: descobri que afinal sou, perfeccionista. descobri que nada mas nada mesmo vale um acordar carinhoso e começar o dia a dizer "gosto tanto de ti!" a alguém. que grito por coisas insignificantes e fico magoada em silêncio com as coisas grandes. descobri que sou imperfeita, incompleta, impaciente, que tenho talento para dar e vender e medo de o admitir e de seguir o caminho do sonho, descobri que sou esforçada, procuro soluções e nunca baixo os braços, mas que nem sempre estou a nadar na direcção que deveria, gastando energia e tempo a lutar contra uma corrente que jamais me deixará vencer. ou seja, descobri que sou teimosa. e sim, descobri que com tudo isto, gosto de quem sou, e de ter esta noção das falhas ou das coisas menos boas que me permite trabalhar para ser amanhã uma pessoa mais amorosa do que hoje. porque não duvidem: o caminho é o amor e, por mais comprido e difícil que seja, todo e qualquer caminho só nos leva a um sítio: AMOR.  

 

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ler, reler e não ler, conhecer e fazer ou não!

13.10.13

gosto daquelas lista de livros que os jornais se lembram de fazer de vez em quando. não estou a ser irónica, gosto mesmo. tal como também gosto do "NYT Guide to Essential knowledge". Gosto de listas de coisas "a conhecer". fico triste às vezes, com algumas, pois sei que neste momento estão fora do meu alcance algumas das que mais gostaria de fazer/conhecer. mas por outro lado, fico (absurdamente) feliz quando vejo que já li mais de metade da lista dos 50 livros propostos pelo expresso, por exemplo. 

 

por sinal, quero reler a Moby Dick. e há livros que sabia serem "clássicos" a que nunca dei muito valor que neste momento, creio, me apetece descobrir. quero ler (pois não, nunca li!) à Espera de Godot e a Montanha Mágica (que eu acho que li). Ler a antologia poética do Lorca e reler o Dom Quixote de La Mancha. Kafka e Faulkner, para reler. Hemingway, também. Qero terminar de ler, que é como quem diz quero ser capaz de ler de uma assentada, O Convite. também quero ler La Fée Carabine, Daniel Pennac.  ah! também há filmes que eu gostava de ver...mas essa parte é mais complicada. e ainda não decidi se quero ler a casa dos budas ditosos (ler como se deve, sem ser só ler salteado).

 

também quero fazer uma coisa que não fazia há muito e, como agora até tenho companhia para, vamos ver se me organizo e consigo fazer passeios turísticos por aqui. Cascais, Sintra, Lisboa...de mapa na mão e mochila às costas (mas leve!!) há anos que não faço isso. quase tantos como os que vim para cá. além disso, agora quero fazer isso com base nesta maravilhosa ideia, cujo resultado está...aqui! não tem que ser tão grandioso e organizadinho mas...até gostava! ahahahaha! 

 

portanto, voltando às listas, ao fazer ou não, e tal...quero fazer. fazer muitas coisas que não tenho feito porque não tinha com quem. agora tenho. é curioso que, assim que nos abrimos às coisas, parece que andamos com um letreiro na testa e as pessoas é que vêm ter connosco! não é giro? e por outro lado, assim que deixamos de dar importância aos actos de certas pessoas, é como se elas desaparecessem das nossas vidas. estou contente e de bem com a vida, acreditem. não porque algo de exterior tenha mudado mas porque eu, interiormente consegui fazer um "click" que não estava a conseguir. consegui mudar de posição, procurar outra perspectiva! e tudo está a tomar outra dimensão. entre outras coisas, percebi claramente que não vale a pena lutar contra o que tem que ser. mesmo não sabendo como se faz o que tem que ser, é aquilo! 

 

e uma das coisas que eu tenho que fazer é ficar a tenta e ver se mando uma carta! há pelo menos duas vezes que adio a inscrição e depois...chapéu, esqueço-me! preciso de mandar uma carta e preciso de ler/reler 2 livros super importantes! mas só vos digo quais no fim da leitura. a outra coisa que tenho que fazer com urgência, é ir aproveitar esta tarde de Outono absolutamente maravilhosa, sempre consciente do quanto o meu coração pulsa por ti

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

      

 http://tavolacom.com.br/aqui-bate-um-coracao/

 

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Escuta

28.08.13


Escuta, Amor

 

Quando damos as mãos, somos um barco feito de oceano, a agitar-se sobre as ondas, mas ancorado ao oceano pelo próprio oceano. Pode estar toda a espécie de tempo, o céu pode estar limpo, verão e vozes de crianças, o céu pode segurar nuvens e chumbo, nevoeiro ou madrugada, pode ser de noite, mas, sempre que damos as mãos, transformamo-nos na mesma matéria do mundo. Se preferires uma imagem da terra, somos árvores velhas, os ramos a crescerem muito lentamente, a madeira viva, a seiva. Para as árvores, a terra faz todo o sentido. De certeza que as árvores acreditam que são feitas de terra. 

Por isto e por mais do que isto, tu estás aí e eu, aqui, também estou aí. Existimos no mesmo sítio sem esforço. Aquilo que somos mistura-se. Os nossos corpos só podem ser vistos pelos nossos olhos. Os outros olham para os nossos corpos com a mesma falta de verdade com que os espelhos nos reflectem. Tu és aquilo que sei sobre a ternura. Tu és tudo aquilo que sei. Mesmo quando não estavas lá, mesmo quando eu não estava lá, aprendíamos o suficiente para o instante em que nos encontrámos. 

Aquilo que existe dentro de mim e dentro de ti, existe também à nossa volta quando estamos juntos. E agora estamos sempre juntos. O meu rosto e o teu rosto, fotografados imperfeitamente, são moldados pelas noites metafóricas e pelas manhãs metafóricas. Talvez outras pessoas chamem entendimento a essa certeza, mas eu e tu não sabemos se existem outras pessoas no mundo. Eu e tu declarámos o fim de todas as fronteiras e inseparámo-nos. Agora, somos uma única rocha, uma única montanha, somos uma gota que cai eternamente do céu, somos um fruto, somos uma casa, um mundo completo. Existem guerras dentro do nosso corpo, existem séculos e dinastias, existe toda uma história que pode ser contada sob múltiplas perspectivas, analisada e narrada em volumes de bibliotecas infinitas. Existem expedições arqueológicas dentro do nosso corpo, procuram e encontram restos de civilizações antigas, pirâmides de faraós, cidades inteiras cobertas pela lava de vulcões extintos. Existem aviões que levantam voo e aterram nos aeroportos interiores do nosso corpo, populações que emigram, êxodos de multidões famintas. E existem momentos despercebidos, uma criança que nasce, um velho que morre. Dentro de nós, existe tudo aquilo que existe em simultâneo em todas as partes. 

Questiono os gestos mais simples, escrever este texto, tentar dizer aquilo que foge às palavras e que, no entanto, precisa delas para existir com a forma de palavras. Mas eu questiono, pergunto-me, será que são necessárias as palavras? Eu sei que entendes o que não sei dizer. Repito: eu sei que entendes o que não sei dizer. Essa certeza é feita de vento. Eu e tu somos esse vento. Não apenas um pedaço do vento dentro do vento, somos o vento todo. 
    Escuta, 
    ouve. 
    Amor. 
    Amor. 

José Luís Peixoto, in 'Abraço' 

 

 

 

 

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carry on

22.08.13

não deixa de ser curioso que todas as músicas deste verão tenham uma linha positiva e leve, divertida.... :-)  esta é só mais uma que me diz muito, não só mas também porque veio pela tua mão. Obrigada! 

 

 

 

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há coisas

21.08.13
...de que eu não me quero livrar!

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always

20.08.13

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as coisas que eu digo

20.08.13

as coisas que eu escrevo, as coisas que eu grito. todas são apenas isso:

as coisas que saem de mim. 

 

se não são o reflexo exacto daquilo que sinto, é porque o teu espelho, que filtra o que digo, transformando-o no que tu ouves, não reflecte as mesmas estórias, momentos e sentimentos que o meu. e sinceramente, não posso dizer que isso seja quer bom quer mau. é, apenas, assim. 

 

se isso faz com que não nos entendamos, nos desentendamos e nos afastemos, é porque o que nos prende não é tão forte que resista ao facto de sermos pessoas diferentes. ponto. parágrafo. 

 

e a história continua na linha seguinte. e tem outro reflexo noutro espelho...

 

 

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sobre estados de alma e outras insignificâncias... :)

"If you are lucky enough to find a way of life that you love you have to find the courage to live it."
John Irving



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no thing

No luxury and no comfort, no delight and no pleasure, no new liberty and no new discovery, no praise and no flattery, which we may enjoy on our journey, will mean anything to us if we have forgotten the purpose of our travels, and the end of our labours (Isaiah Berlin)

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