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Filha da noite

07.08.14

é nela que me encosto e me deixo ficar. Sempre nela que jamais me canso de estar e, sempre nela que escrevo a vida em todas as suas cores, por vezes embalada por lareiras acesas, por vezes lavada em lágrimas e tristezas. Filha  da noite, em todas as circunstâncias, de certeza. É nela que me encontro, que me perco, que te roubo, te devolvo...que sou e sonho. E me faço maior do que me imagino...

 

 

 

 

 

 

 

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there´s no secret recipe

12.07.14

and not a single secret ingredient to make life worthy. All of it depends on only...you!

 

A minha adolescência foi regada -generosamente- de boa música, envolta em vozes, em timbres, que ainda hoje me fazem arrepiar. Algumas dessas vozes, dessas canções, dessas músicas são para mim bálsamos que, se não apagam algumas coisas, mitigam a saudade, a tristeza, trazem à tona memórias, sorrisos, momentos tão felizes! Não são segredos, são parte da receita de mim, o twist que cada um de nós dá às receitas que prepara e que as torna únicas...sõ uma presença recorrente, confortante, um raio de sol que fura as nuvens...curioso é que gosto, geralmente das minhas músicas nas versões em que me apaixonei por elas, sem misturas, sem pequenas ou grandes alterações...e que ultimamente tenho tido prazer em ouvir as mesmas letras  com outras vozes, duetos, sorrisos...sinal de alguma flexibilidade acrescida, quiçá, efeito da distância temporal ou de uma coisa com a qual me tenho vindo a confrontar,  felizmente, sempre, com um sorriso: a maturidade. 

 

Está inegavelmente presente, na forma como me organizo, desorganizo, nas minhas ((inter)acções, na minha maneira de cozinhar, na minha escrita...nas minhas escolhas and we go along just fine...

 

 

E hoje, quero deixar aqui registo de algumas delas. Ouçam a música, sintam as notas...a vida é feita assim, de arrepios em sorrisos em fins-de-tarde que sabem a paraíso...

 

 

Au Café des Delices - versão original Patrick Bruel - aqui: Amel Bent

La Bohême - versão original Charles Aznavour - aqui: Amel Bent

 

J´te le dis quand-même - versão original Patrick Bruel -aqui: Bruel et Lara Fabian

Je vais t'aimer - versão original Michel Sardou - aqui Sardou et Lara Fabian

 

 

Je te promets - versão original Johnny Halliday -aqui JJGoldman et Patricia Kaas

Je te promets - versão original Johnny Halliday - aqui JHaliday et Amel Bent

 

 

durante anos senti culpa por me guiar pelas emoções, os sentimentos, por sentir tanto tanto...não sei de que outra maneira valeria a pena...

 

 

 

 

 

 

 

 

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fragilidade

04.02.14

talvez seja só a mim que passam ao lado uma série de coisas. uma das que me tem passado ao lado ao longo da vida, é a fragilidade. as fragilidades do outro. dos meus outros. dos outros seres da minha vida. talvez seja demasiado centrada em mim, talvez tenha demorado a despertar, talvez...talvez tantas coisas! 

 

perder de vista ou não ter de todo noção da fragilidade do outro, e sei bem que contra mim falo, é uma espécie de egoismo. podem haver milhares de desculpas, razões e justificações. este facto não se altera: quando temos noção da fragilidade do outro, de todos os nossos outros, filhos, pais, maridos, amigos, irmãos, tornamo-nos melhores filhos, irmãos, amigos, mulheres e mães para eles. sim, requer disponibilidade. e vontade. e muito amor. ♥

 

a imagem é daqui

 

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decisões, resoluções e tropeções

30.12.13

para evitar os últimos, os tropeções, há já vários anos que deixei de tomar decisões de ano novo, vulgo resoluções, desejos, ou declarações de intenções...ainda assim, tenho por hábito fazer um balanço, o mais exaustivo e independente possível (assim como se estivesse a ver outra vida qualquer e não a minha, sentada tranquilamente numa sala de cinema) e, regra geral, encontro coisas boas para celebrar. 

 

este ano, à semelhança de 2012, foi um ano duro. um ano de decisões tomadas à força, um ano de separações ( e felizmente reencontros), um ano de aprendizagem a muitos níveis. foi o ano em que percebi que se quero algumas coisas na vida, é preciso não só desejar e lutar por elas. é preciso abrir espaço para que elas entrem e tenham onde ficar. foi em 2013 que aprendi que, por mais que se goste, e por isso mesmo se tente ajudar, às vezes a melhor ajuda é não fazer nada (eu já sabia isto, em teoria, agora já sei como se faz na prática) e que dói muito fazer força para manter os braços cruzadas enquanto vemos gente de quem gostamos degladiar-se com a vida.

 

aprendi que é preciso deixar ir tudo o que não interessa. amigos, família, tradições, hábitos, manias, objectos. não há espaço para tudo, é preciso optar e, por mais que as pessoas, as coisas e as memórias façam parte de nós, às vezes é preciso passar por uma ecdise, exactamente como a cobra, e ficar tão apertada dentro da própria pele que por si-mesma ela se rompa para possibilitar o crescimento.

 

crescer é também perceber que há gente que mantemos na nossa vida não porque nos faz bem, mas porque lá está, e deixar de ter essas pessoas no nosso espaço. e varrer sem hesitar o pó que deixaram a assinalar a presença, lavar o chão e sentir o prazer de um espaço livre, limpo. onde antes havia um peso inútil há agora milhares de possibilidades. até a de deixar o espaço vazio deixando circular o ar livremente. 

 

talvez seja para isto que servem o outono e o inverno. para nos concentrarmos no dentro. dentro de casa. dentro de nós e,  assim como os dias são mais curtos e frios, sermos curtos e frios nas escolhas do que se deve ir antes do ano findar. porque de nada vale querer mundos e fundos para qualquer ano novo se a casa (física e não só) estiver atulhada de coisas velhas, com, no meu caso, mais de quarenta nos. não há espaço para tanto, por mais arrumados que sejamos, todo o espaço é finito. 

 

aprendi a amar. aprendi a perdoar e, aprendi a aceitar. a lamentar sem ter que obrigatoriamente interferir. a chorar só para mim, porque na verdade, não acredito que alguém perceba inteiramente a dor do outro. logo, apenas nos podem dar uma coisa: um ombro onde chorar. ainda assim, vamos estar a chorar sozinhos. ah! aprendi que não faz mal chorar. e que se pode maldizer a vida. não se pode é ficar por aí...é preciso também agradecer à vida. as benções e as lições. e tratar de pôr mãos-à-obra! 

 

descobri que a minha importância, no meio de tudo isto é relativa. mas que a partir do momento em que passei a ser importante para mim, a minha importância para os outros cresceu. ok, sim, podem dizer à vontade: eu já sabia isto tudo! claro! claro que sabia! já tinha lido, era até capaz de já ter aconselhado alguém a cuidar-se mais, valorizar-se mais, querer-se mais....mas daí a por a coisa em prática...vai uma vida! anos de uma vida! e não é de um dia par ao outro que se deixa de estar focado em ajudar o outro e se percebe que primeiro, estou eu. que se quero ajudar alguém, tenho que estar viva e inteira e que, se para ajudar alguém a minha integridade for posta em causa, não estou a ajudar a pessoa certa... 

 

aprendi também que empurrar com a barriga não é remédio. da situação mais corriqueira à mais delicada. da vizinha chatinha que molha as escadas todos os dias de manhã cedo (raios, a partam! afinal as empregadas do condomínio lavam as escadas, se não ficam bem, mais vale falar com elas do que ter esta trabalheira todos os dias) à ex do ex que não me sai da frente. ignorar, fingir que não importa, que a senhora até lava as escadas e é bom para todos, procurar ver o lado do outro e desculpar comportamentos que nos incomodam, por minimamente que seja, é má politica. nada como bater um dia à porta da vizinha e pedir-lhe que por favor, lave as escadas meia hora mais tarde: assim entro e saio com o cão e volto a sair com o filho e não fico com sentimentos de culpa por andar  pisar o chão acabado de lavar. a vizinha não se importa, sorri. e passa a esperar que eu saia para lavar as escadas. foi fácil. o resto também foi. 

 

aprendi que por vezes, a teimosia compensa. e por vezes nem tanto assim. descobri que não estou disposta a vender o que sei e o que faço de melhor a qualquer preço. que o meu saber vale muito e que sou eu e eu apenas quem decide qual é o preço mas, descobri que em vez de querer à força que valorizem o que tenho para dar, talvez seja mais fácil ir ao encontro de quem valoriza...se é que me faço entender. como no amor, em vez de insistir em querer que alguém tenha a capacidade de me ver por inteiro ( e às vezes até tem) talvez seja mais fácil acreditar que há quem tenha essa capacidade sempre e a perca por vezes para rapidamente a reencontrar...

 

descobri que a vida se faz num equilibrio delicado entre ter o que se gosta e gostar do que se tem. que não gostar do que se tem não serve, que para isso mais vale viver com o desejo (sonho) do que se gostaria de ter. descobri que levar os sonhos na mão, bem fechados, pode sufocá-los. é preciso guardá-los no bolso, sempre presentes, mas manter as mãos livres para os construir, a alma livre para os perseguir, um coração aberto e a mente sempre curiosa e inquieta. aprendi que ser feliz é nunca deixar de acreditar!

 

aprendi a gratidão e o poder imenso de se valorizar tudo quanto se adquiriu. aprendi a mudar de registo, quando o disco já deu todas as voltas e a agulha se limita a fazer um ruído estranho depois de acabada a música...percebi que a paz também se constrói na ausência, no silêncio, no afastar. e que a alegria é um estado de espírito permanente, pontilhado de tristezas cintilantes aqui e ali, e não o contrário. e, acima de tudo, chego ao final de 2013 com a certeza de que tenho em mim e comigo tudo quanto é preciso ter para aceitar e superar os desafios de 2014, e, hopefully, viver a sorrir 24 horas de cada vez, semana a semana, mês a mês, até voltar a fazer mais um balanço, mais uma vez...

 

assim, à laia de resumo de 2013, fica uma ideia que já tinha publicado antes. 

 

 

 

it did. I'm free. 

 

 

 

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a cidade dorme à chuva

17.12.13

enquanto eu passo ao lado do mar, devagar, meio perdida em pensamentos que um enorme rebentar de espuma branca me faz largar. é quase Natal. Ainda não tenho metade dos presentes terminados. e nem são muitos. pelo filhote, e não por mim, lá vou entrando no espírito. eu gosto de deste tempo, das reuniões de família, de tudo isto. mas uma parte de mim está como o dia, apagada e cizenta. 

 

parece muito mais cedo, a cidade está deserta. os estacionamentos vazios. a cidade já está de férias. férias de uma realidade que me parece sempre mais fácil do outro lado. e estou firmemente decidida a recuperar o brilho, a cor. a procurar soluções em vez de remoer problemas. mas os dias passam e no frenesim do que tem que ser, perco-me ainda no que devia e não consegui, não chego aonde queria, não faço.  

 

e então, penso em tudo quanto mudou, tudo quanto tenho conseguido manter, a estabilidade recuperada, a custo e precária, mas existe. o sorriso do meu filho, lindo, terno, maduro. maduro demais, penso por vezes, para um miúdo de 11 anos. canta. e ri-se. e não se queixa. o cão e a gata que afinal até se entendem muito bem, a casa que é tão quentinha que ainda nem precisámos de aquecimento! os dias preenchidos e o acordar com mimos! o compreender, interiormente, que tenho o que é preciso. apenas faltam acertar algumas agulhas. 

 

tudo quanto é importante faz parte da minha vida: família, carinho, trabalho, sol, mar, livros, escrita. a liberdade. de escolher ou não. de fazer ou não. de estar ou não. não sei se há coisas mais importantes ou se há alguma coisa mais importante e melhor base para se construir uma vida que a certeza absoluta de que estamos a fazer o que sabemos que está certo. 

 

porque no fim das contas, tanto quanto sei, o que vale é o coração. cheio de amor.  ou de arrependimentos. e eu gosto de sorrisos! 

 

 

 

sem certezas quanto às origens deste texto, deixo-vos aqui uma boa tradução do mesmo e, desejo-vos uns excelentes dias finais de 2013. 

 

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não é

16.12.13

ordem não é arrumação, como virtude não é aparência

oração não são palavras, como amor não é tacto, 

reforma não é envernizamento, como estudo não é leitura, 

caridade nãoé só "dar", como humildade não é abaixar-se

bondade não é mansidão que se omite, como alegria não é riso, 

felicidade não é ócio, como dor não é choro. 

 

foi assim que começou o meu dia, abrindo um livro ao acaso. tudo isto faz imenso sentido! assim como faz sentido, no seguimento de uma conversa que tive este fim-de-semana, que as mudanças sejam lentas e por vezes nem aconteçam. porque, para mudar, é preciso que algo muito mas muito forte nos impulsione e são, geralmente as coisas menos boas que conseguem ter essa força. porque mudar, mudar de atitude, pegar nas rédeas das coisas, custa. requer esforço e uma capacidade quase infinita de cair e levantar, falhar e recomeçar. todos os hábitos podem ser alterados, mas consolidar um hábito, requer tempo e muita força de vontade. e, para além de reconhecer os sinais, fazer-lhes caso. 

 

estou cansada, este foi mais um ano de grandes desafios, de desgaste, de mudanças a vários níveis. se tivesse que usar uma única palavra para descrever este ano, escolheria crescimento: cresci, cresceu a minha noção de algumas coisas, cresceu a minha vontade de dar a volta à vida, cresceu a minha capacidade de ouvir, a minha vontade de conseguir. tudo muito frágil ainda, em crescimento ainda, mas sempre comigo, um crescimento lento mas que se vai consolidando. 

 

este fim-de-semana também, tive oportunidade de perceber que, de facto, às vezes achamos que queremos muito algumas coisas. então, a vida coloca à nossa frente essas coisas. com um twist. no meio de tudo aquilo que achamos querer, como algo muito importante, ou, para chegar a tudo isso, há um obstáculo a transpor. perante tudo o que está do outro lado, ponderamos. mas, valores mais altos se levantam, que são os nossos, e não somos capazes de abdicar de alguns deles, ou de um sequer, para chegar ao tão almejado conjunto de coisas. e por vezes, esta barreira, pode até parecer fútil, podemos até, por momentos, considerar que deitar a perder um conjunto tão significativo de coisas importantes para nós por um pormenor é algo próximo da idiotice...mas, assim aprendemos mais um pouco sobre quem somos. e não há mal em querer-se tudo. ou em perceber que afinal há coisas mais importantes do que aquelas que achamos querer tanto...e aprende-se mais um pouco. e aceita-se que não se é perfeita. 

 

e aceitar é mais um passo para o amor incondicional de mim-mesma. e descobri também que afinal até sei ler os sinais. e que sei descartar sem ficar com culpas o que não me serve. e que, ignorar consistentemente uma questão, não é tomar uma atitude. tomar uma atitude é praticar uma acção. ignorar, faz com que a coisa nos volte várias vezes ao caminho. lidar com é arrumar as coisas, arrumar a casa, destralhar a vida.  porque cada coisa a menos que pesa, dá espaço de manobra para pegar noutra(s) com menos esforço. 

 

não, não é fácil. nem sempre. mas vale a pena. não, não é rápido, mas faz ganhar tempo. não, não é indolor, mas torna-nos imunes... e sim, a melhor forma de não ter problemas, é lidar com eles e arrumá-los, focados não nos problemas, mas nas possíveis soluções! e não, não se sabe, mas aprende-se! e ao aprender...crescemos em todos os sentidos! e sim...às vezes é preciso: 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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os presentes, as prendas, os mimos

02.12.13

sempre fui muito preocupada em dar aos outros. muitas e muitas vezes, (já tenho quarenta anos, imaginem há quanto tempo isto dura!) deixando de ter para mim, para dar um presente melhor ao meu filho, porque tinha que chegar para todos. este ano, pela primeira vez, só há presente digno desse nome para os miúdos. 

 

já me dei ao trabalho de começar os presentes em Agosto, fazendo um cabaz com tudo e mais alguma coisa para os casais (irmãos e cunhados), lembranças de licores e etc para os vizinhos, compotas, chutneys, conservas mais variadas aliadas a receitas e ingredientes para bolos maravilhosos, acompanhados da respectiva receita, ela própria vinda de lugares inesperados, como uma avó austriaca ou um amigo cozinheiro italiano. 

 

tenho a certeza absoluta que metade dos presenteados não têm noção do trabalho e amor envolvidos para preparar tais coisas, tal como tenho a certeza que não tiveram metade do trabalho e perderam sequer um décimo do tempo a pensar no meu ou no nosso presente. não me estou a queixar de nada nem seria este o melhor lugar para o fazer mas...a vida colocou-me numa posição em que tenho que escolher e, com isso, fez-me olhar para certas coisas e perceber que, de facto, o que conta é a intenção. pelo menos para mim é. e se para quem recebe os meus presentes não for, olha, paciência porque já dei! já dei anos e anos de dores de cabeça a tentar arranjar o presente ideal, não dar a um irmão mais que a outro, tentar nivelar o nível de satisfação. é impossível e stressante. 

 

afinal aprendi umas coisas ao longo do último ano! eu quero lá saber se acham que dei pouco ou se acham que dei muito ou se vão reparar no que dei. o que der, seja lá o que for, será de coração e, se olharem para isso então que olhem também para as circunstâncias. ou não, tanto se me dá. 

 

este ano, apenas me preocupa um presente: o do T. não será com certeza o que ele mais deseja, até porque é um bocado complicado saber o que mais quer aquele miúdo, que não pede nem se queixa, mas será um presente que o vai fazer feliz e lhe trará certamente muitos momentos de diversão. quantos aos outros? espero que gostem do que lhes couber. 

 

e com isto, tenho dito. deixei de ser parva. à custa de muita pancadinha da vida. mas aprendi. e tudo se resume a isto: 

 

faz sempre aquilo com que te sentires confortável, as tuas dores de cabeça e stresses não acrescentam valor ao teu gesto (para os outros) e só te pesam a ti. e foi isto que aprendi. 

 

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divergir

29.11.13
di·ver·gir - verbo intransitivo

1. Ter ou sofrer divergência.

2. Desviar-seafastar-se cada vez mais.

3. Ser de opinião diferentenão concordar.


por vezes, por mais que se esteja já no caminho da divergência, ainda não se percebeu. e quando se percebe, suponho, pode nem sempre ser um alívio. até porque divergir não é virar costas e andar sempre a direito sabendo que mais passo menos passo vamos estar cara-a-cara com a outra pessoa. não, divergir é tomar uma direcção tão diferente que, por mais que nos voltemos a encontrar será sempre de passagem, um cruzar fugaz, quem sabe um sorriso e já está. e aceitar o distanciamento, dói. sempre. 
:
divergir, não é bom. divergir não é mau. divergir é seguir o caminho que nos pertence fazer, apenas. o que não é de todo possível é tornar caminhos divergentes em caminhos paralelos e no fundo no fundo, isso sim, é muito bom. porque (hoje sei) não posso ser feliz nessa situação; não só deixo(ei) de criar a minha vida como me esforço(ei) em vão para me adaptar a uma vida que na realidade não me satisfaz. e hoje, estou feliz por termos divergido. só assim voltei ao caminho de mim. 
:

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descobri

26.11.13

que nem sempre o que nos parece mau traz um mau resultado, que é mesmo uma questão de nível (qualidade), não de classes, que sou muito rápida a julgar os outros mas, também, que não censuro ou condeno; julgo ou avalio com as medidas que tenho e não sinto a necessidade imperiosa de gritar a quem quer que seja que está a fazer isto ou aquilo mal; cada qual sabe de si. descobri que invejo certas coisas, sem saber o que está por detrás delas e que tenho saudades de algumas pessoas. descobri que é possível viver sem tudo ou com quase nada, mas que o dinheiro (ter asseguradas as despesas básicas e algum conforto) traz uma calma diferente à vida: é mais fácil ser-se atencioso e generoso, é mais fácil ter atitudes altruistas ou simplesmente corteses quando não estamos constantemente à procura de uma solução para resolver um problema básico. descobri também que neste país impera o "não sei". ninguém sabe de nada e nem quer saber. e é assim que andamos, ao sabor de gente que se está nas tintas, por mais que lhe cortem o salário, porque há ainda o suficiente para tudo e, se porventura faltar, haverá gente sobre quem descontar a frustração, a raiva e a impotência, tendo comportamentos absolutamente grotescos e que só por si deveriam dar azo a um processo disciplinar, mas não dão, e ficam os de sempre, contritos, à espera de um pedido de desculpas que jamais virá. descobri que, de mãos dadas o caminho é mais leve. não que os obstáculos se diluam, mas sim porque, para saltar por cima de cada um deles, é mais fácil ter uma mão que apoia a nossa. descobri que avalio os outros pela escrita. como dizem, mais do que aquilo que dizem, porque se pode falar de "tretas com m" com requinte e brilhantismo, havendo inteligência. optei por não ter corrector ortográfico neste blog e passo um pouco por cima das regras, mas venho muitas vezes editar textos com gralhas, para as corrigir: descobri que afinal sou, perfeccionista. descobri que nada mas nada mesmo vale um acordar carinhoso e começar o dia a dizer "gosto tanto de ti!" a alguém. que grito por coisas insignificantes e fico magoada em silêncio com as coisas grandes. descobri que sou imperfeita, incompleta, impaciente, que tenho talento para dar e vender e medo de o admitir e de seguir o caminho do sonho, descobri que sou esforçada, procuro soluções e nunca baixo os braços, mas que nem sempre estou a nadar na direcção que deveria, gastando energia e tempo a lutar contra uma corrente que jamais me deixará vencer. ou seja, descobri que sou teimosa. e sim, descobri que com tudo isto, gosto de quem sou, e de ter esta noção das falhas ou das coisas menos boas que me permite trabalhar para ser amanhã uma pessoa mais amorosa do que hoje. porque não duvidem: o caminho é o amor e, por mais comprido e difícil que seja, todo e qualquer caminho só nos leva a um sítio: AMOR.  

 

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ai o tempo!

25.11.13

quem me dera que fosse maleável à minha vontade, esticando-se agora, encolhendo as garras depois, deslizando suavemente como um branco lençol de seda ou flutuando ao vento, qual cortina indiscreta em tardes de verão...e que fosse sereno de manhã e parecesse não mais ter fim nas tardes quentes de esplanar, no encontrar furtivo de um olhar desperto, no saborear bamboleante de um recomeço a desejar e depois....monstro infinito de fúria produtiva, sendo agora vaga que morre transparente, cristalina, onde o meu pé vem se enterrar...quem me dera que fosse o tempo a depender do meu querer e não eu, presa ao tictac em surdina de ponteiros condenados a todo o sempre a girar...quem me dera moldar o tempo ao viver num intenso saborear...

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sobre estados de alma e outras insignificâncias... :)

"If you are lucky enough to find a way of life that you love you have to find the courage to live it."
John Irving



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Curiosity killed the cat...

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no thing

No luxury and no comfort, no delight and no pleasure, no new liberty and no new discovery, no praise and no flattery, which we may enjoy on our journey, will mean anything to us if we have forgotten the purpose of our travels, and the end of our labours (Isaiah Berlin)

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