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o plano

17.01.14

não tem que ser infalível, não tem que ser o melhor de todos os planos, pode ser imperfeito e pode até nem resultar como previsto por melhor que se tenha planeado, por mais complexa e elaborada que seja a sua composição mas, é preciso ter um plano. pelo menos um. porque, a partir do momento que se tem um plano, há metas, objectivos a atingir e portanto, movimento. mais uma vez, nada tem que ser perfeito, nem tem que bater certo à risca com o planeado (um bom plano, aliás, contempla falhas e desvios) mas havendo movimento, acaba-se o marasmo e o tédio e o rang-rang da nossa vidinha parada porque o país está parado, a sociedade está parada e por aí fora. é preciso ter um plano. como disse antes, nem tem que ser perfeito, mas tem que existir. sem plano, sem objectivos, sem destino, a nossa vida passa a enrolar-se cada vez mais no marasmo da própria inactividade, puxando por mais inactividade e por menos vontade de fazer. por isso, façam planos! 

 

não, também não tem que ser nada complicado nem abrangente! pode ser um plano a nível profissional, pessoal, de relacionamento, pode ter a ver com filhos, família, amigos! é um plano de cada vez. e pode até ser planear aprender a planear as refeições da semana, planear um fim-de-semana maravilhoso, eu sei lá! o que interessa é seguir todos os passo do plano: definir o objectivo final, objectivos intermédios e como chegar a cada um deles. a execução, neste caso, é mais importante que conseguir ou não o objectivo final exactamente como previsto, sem falhas, perfeitinho... porque é praticando as acções que permitem executar o plano que aprendemos, na maioria das vezes, falhando... :-) e, já dizia o Beckett falhar não é um problema. o problema é não voltar a tentar! Ever tried. Ever failed. No matter. Try Again. Fail again. Fail better. porque é mesmo assim, podemos voltar a falhar, mas não da mesma maneira, ou não no mesmo sítio. e com isso, teremos a prendido a fazer bem e, fazer bem, é ter menos trabalho para melhores resultados. por isso, façam planos. 

 

castelos no ar não são planos. planear uma viagem de sonho à volta do mundo quando se ganhar o euro-milhões não é um plano, é sonhar de olhos abertos e cérebro desligado! um bom plano é aquele em que os objectivos são fixos mas a forma de os atingir flexíveis, um bom plano, é exequível, no sentido em que pode ser cumprido. de nada serve definir objectivos que sabemos à partida serem irreais! por exemplo? por exemplo isto: "durante o mês de Janeiro vou criar o hábito de caminhar meia hora todos os dias". Aqui está o perfeito exemplo de disparate! 

 

primeiro: o mês de Janeiro é, por excelência, um mês em que andamos devagar, todos. fazem-se balanços nas empresas, inventários, fechos de ano e por aí fora e há, regra geral, um acréscimo de tarefas monótonas. depois, é um mês de contenção financeira (ninguém disse  ou está a dizer que caminhar custa dinheiro) e a maioria das pessoas sente-se menos inclinada a mexer-se quando não pode gastar, é como se tivessem deixado de ter a cenoura à frente do nariz...segundo: Janeiro é inverno, no inverno chove. a não ser que tenha um gosto particular por caminhar à chuva e tendo em conta as probabilidades de haver chuva em Janeiro, é muito certo que não consiga caminhar todos os dias. terceiro: criar um hábito não se faz de um dia para o outro nem se faz sem falhas, é preciso repetir e repetir e repetir a coisa, muitas e muitas vezes com esforço, até que se torne um hábito; ainda assim, muitas vezes, o que queremos considerar um hábito não passa durante meses de uma rotina auto-imposta. sendo realista, quem é que consegue obrigar-se durante um mês frio e escuro como o de Janeiro a ir caminhar todos os dias de madrugada durante meia hora ou perder-se na escuridão e cansaço do final do dia durante meia hora para manter um objectivo? ninguém. ok, sendo justa, muito poucos! 

 

mas, se o objectivo for "durante o mês de Janeiro pretendo criar o hábito de caminhar, fazendo-o pelo menos três dias por semana durante meia hora", talvez este objectivo já seja exequível para muitos e não apenas alguns. ainda estamos a falar do mesmo objectivo? sim, ainda queremos criar o hábito de caminhar. mas estamos a ser flexíveis na forma e no tempo necessários para o atingir, tal como estamos a ter em conta factores externos que não dependem de nós e a prever eventuais falhas. é mais provável que não chova durante três dias numa semana do que ter uma semana inteira sem chuva em Janeiro. é mais fácil nos motivarmos três vezes do que sete numa semana para caminhar, sobretudo se é um hábito que não temos de todo, e por aí fora...portanto, façam planos! mas façam planos felizes e não se esqueçam que do plano, também fazem parte a celebração dos pequenos sucessos e as falhas...os atrasos e, pasmem-se, até as mudanças de planos! 

 

 

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