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malitas

06.04.16

ou a maldade humana. achei que o filme da Angelina Jolie era sobre a maldade humana, muito mais que sobre a capacidade de sobreviver ou não quebrar...ninguém passa por tudo aquilo sem sequelas, logo, ninguém é invencível. ainda assim, a maldade nos filmes, nos jornais, nos livros e mesmo na televisão, é a maldade na vida dos outros. está longe de nós, não há risco (de contágio?), não é real. não é real para nós. não é, muitas vezes, real para mim e para o meu filho, que vivemos sem televisão, ligados ao mundo pela net, sim, mas de que nos servimos, mais do que nos serve sem filtro aquilo que entender. vivemos num mundo nosso. não sei se isso é bom ou mão. é assim, nem quero, neste momento, pensar muito sobre que implicações isso poderá ter no futuro de um adolescente. ele vive no mundo real. em nossa casa há coisas que não entram...mas depois, de repente, entra-nos pela vida uma amostra de maldade tamanha que me faz perder o sono e a calma e dar graças aos céus, deuses, universo e tudo aquilo em que digo que não acredito por termos afinal uma vida tão...simples, boa, definida, sei lá, sem maldade, acho. sem aquele tipo de maldade que destrói a raça humana...e ainda quero acreditar que só é mau aquele a quem foi dada a conhecer a maladade e nem sei o que pensar disto nem da forma como nos entrou pela vida e ficámos os dois sem palavras...porque desta vez não foi na televisão...é na casa ao lado da nossa, são pessoas que conhecemos, há pouco tempo, é verdade, mas cujas caras vemos todos os dias, que nos cumprimentam, que nos disponibilizaram o jardim de aromáticas: "apanhe o que precisar, faço muito gosto"...

 

eu sei que sou estranha, maluca, levada da breca, esquisita, diferente, inconformista e que tenho a mania, sou parva, preguiçosa, lerda, chata...sou tantas coisas e sou absolutamente incapaz de compreender que uma mãe tenha que ir ver um filho -adulto, da minha idade- às escondidas do pai desse filho, que o expulsou de casa há mais de vinte anos e que nenhum dos 3 irmãos faça ou diga nada, e que a mãe o vá visitar às escondidas a altas horas da noite e regresse a pé e sozinha com uma lanterna fraquita "para não dar muita luz" por caminho de terra batida cheio de buracos, praticamente sem vizinhos que lhe possam valer em caso de necessidade e que isto tudo seja assim e que isso seja "normal"! 

 

eu sei que isto se vai desvanecer. mas também sei que de vez em quando me vou lembrar da dona D., à noite, na estrada, já tarde, cansada e feliz/triste, e que nessas alturas vou sempre pensar "como é que uma coisa destas é possível?" e "como é que se acaba com isto?" espero, nessas alturas, lembrar-me e que o T. se lembre que lhe demos boleia. não foi quase nada. não nos custou nada. espero que tenha servido para mais alguma coisa do que aliviar as pernas a uma senhora já de idade e cansada. 

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