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trust me!

12.03.13

 

Por vezes, mais vezes do que parece possível, dizemos ou, pior ainda, escrevemos tudo aquilo que precisamos de ler mas, ironia do destino, não damos por isso! Quando alguém escreve coisas como “concordei em confiar” está na cara que lá no fundo não confia. Mas, em vez de parar para se reler, interiorizando o sentido das palavras escritas, ficamos presos à ideia, neste caso, de algo como: “Aceitaste, não quiseste dar parte de fraca, agora tens que levar isto até ao fim”. O que pode ser de louvar em muitas circunstâncias. NUNCA quando se trata de confiar! Como é possível alguém “concordar em confiar”?! Confiar é uma coisa que vem lá do fundo! Que nos é tão natural como reter a respiração! Nós, à partida, desconfiamos! Analisamos, perscrutamos e depois, se tivermos bases para isso, avançamos! E isto é assim desde que somos crianças! Aliás, as crianças que nós já fomos avaliavam muito melhor pessoas e situações do que os adultos em que nos tornámos. Sim, estavam livres do peso da experiência….e isso por acaso é algo que abone a nosso favor? Não, pois não? Se em crianças sabíamos fazer tão bem e ao longo da vida tivemos tantas oportunidades de aprender…devíamos ter aprendido. Ter aprendido entre outras coisas que, chegado ao ponto em que a criança, depois de uma avaliação cuidadosa decide depositar confiança em alguém, não o faz concordando de mau grado com algo que lhe está a ser pedido por alguém! Podem vir pais, avós, a família inteira; quando a criança decide que “não gosta” de alguém, nada a faz mudar de ideias! A não ser, por vezes, o tempo e, mesmo assim, será sempre uma relação cordial e jamais uma relação do coração! Concordar em confiar são dois-terços-de-caminho-andados para a tristeza e a desilusão. Se não é de coração, se não é lá do fundo fundo, se requer esforço, provavelmente não é o que devia ser. Não sei grande coisa, tanto assim é que a vida ultimamente se tem encarregado de me ensinar uma série delas da pior maneira e no entanto sei que fazer o que quer que seja que não envolva os cem por cento do coração ou que nos deixe com um por cento de dúvidas ou incerteza é a receita perfeita para o descalabro. Sobretudo se envolve pessoas de quem gostamos. Seja ele muito, mais ou menos.   

 

 

imagem: idlehearts.com

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5 comentários

De alwayswithyou a 18.03.2013 às 16:04

Tens toda a razão!! Como pode alguém concordar em confiar?
Mas deixa que te explique o que pode dizer essa frase: Alguém pode concordar em confiar simplesmente porque ama e porque quer mesmo confiar. Deves saber, tão bem como eu, que quando se ama realmente.... nem vale a pena dizer mais nada
No entanto, nem o amor é indestrutível e tal como a confiança, quando se perde nunca mais se encontra
Alguém disse que viver era fácil?

De Lazy Cat a 19.03.2013 às 00:14

Boa noite

Obrigada pelo comentário!


Se há coisa de que me não posso de todo queixar é de ter tido a vida fácil!! :D

Quanto a confiar, concordar em confiar ou querer muito confiar...

Confiar é simples. É confiar. Não há aqui nem tempo nem espaço para quereres ou acordos.

Concordar em confiar é para mim basicamente o mesmo que concordar em discordar. Já implica reflexão e logo já não vem lá do fundo.

We trust with our guts and agree to trust with the brain.

Querer muito confiar....hum....pois. Também já quis muito confiar que situações poderiam alterar-se, que pessoas poderiam "mudar" que "desta vez seria diferente" mas a própria construção da tua e da minha frase implica precisamente o contrário da confiança!
Será mais um "dar o benefício da dúvida" ou "confirmar o que já se sabia"; onde está, aqui, a confiança?

Amar tanto tanto que se quer acreditar apesar de tudo, isso sim, conheço. Não creio é que isso tenha algo a ver com confiar....

Talvez seja só eu mas... quem ama confia. Confia no outro na medida em que o outro é de confiança. Mas confia. From the guts.

Concordar em confiar é mentir e trair a confiança que devemos ter sobretudo em nós.
O Amor, eu acho, não é sequer beliscado pela maior das tormentas. Porque o amor nunca se engana.
Quanto à confiança que se perde, concordo e discordo. Quebra-se o que não era sólido e, por mais que se queira reparar, não há como. Mas pode construir-se algo totalmente novo.

E é só isto que complica a vida: o medo. De confiar, de acreditar, de mudar, de escolher, de escrever, de ter opinião, de fechar portas, de estender uma mão....

A vida é fácil quando a queremos assim. Dá é muito mais trabalho. :-)

LC

De alwayswithyou a 20.03.2013 às 15:02

Olá

Agradeço a tua resposta e permite-me acrescentar algo.

Continuo a achar que a vida não é fácil... e que, quando a confiança se quebra, não há mesmo volta a dar. As pessoas não mudam. Mesmo que tentem ( e eu acredito que algumas até tentam honestamente) não conseguem mudar.

As mentiras e as faltas de respeito são imperdoáveis quando se diz que se ama e a confiança perdida não se recupera mesmo que se construa algo de novo. Eu sei disso, já tentei e o resultado foi desastroso.

E é assim que o Amor é destruído, é desiludido, é ferido de morte.

De Lazy Cat a 21.03.2013 às 17:06

hummmm....amor ferido de morte...é triste!

não vamos discutir conceitos quando naquilo que escreves está a mágoa de ter perdido um amor, quero acreditar que ficando até que mais não fosse possível e direi então apenas isto:

Lamento que tenhas tido que passar por isso!

Um beijo, seja lá quem e de onde fores e bem haja!

Come back Always!

Lazy

De alwayswithyou a 22.03.2013 às 11:24

Obrigada pelas tuas palavras

Vou voltar sempre, sim. Adoro o teu blog :))

Um beijo
AWY

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