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os irredutíveis

21.08.13

 

todos nós, de uma ou outra maneira, já estivemos nesta posição, como que entrincheirados nas nossas certezas...sendo impossível alguém conseguir "chamar-nos à razão". não que os outros tenham mais razão que nós e tenham, portanto, esse direito e/ou dever mas, porque muitas vezes, fora do nosso ser, da nossa vida, não estão "fundidos" com a nossa questão e conseguem vê-la de um plano (perspectiva) diferente e como tal, apreender aquilo que nós não temos de todo maneira de ver. 

acontece no entanto que, cheios de boas intenções nos trazem a perspectiva deles, envolta num manto de preocupação genuina e de "eu achos que devias". pessoalmente, tenho muita (também não é muita assim, é só alguma, -pois pois-) dificuldade em aceitar que os outros me venham com "eu achos que devias" ou "tens ques". ouço, paciente e agradecidamente (quando me lembro que é preciso praticar a escuta activa para se responder assertivamente, quando não interrompo logo a coisa e já está!), aceito a opinião que a pessoa tem relativamente à minha vida, sim, porque nós só vamos de mansinho dar conselhos quando se trata da vida dos outros, muitas vezes consigo ver as coisas daquele ângulo até, e fico agradecida pela preocupação. mas quando chega o tom paternalista e tal, confesso, já estou longe, muito longe de estar a ouvir a conversa. 

mas isto sou eu. e não é só de mim que se trata. trata-se de falar das pessoas que, absolutamente convencidas de que estão no caminho certo, que estão a fazer o que querem fazer, que é assim que querem viver, não conseguem ver que estão numa espiral descendente, que vai levá-las a um lugar tão profundo que muitas vezes terão que por lá ficar. falo de pessoas que magoam outras pessoas, se magoam magoando outras pessoas, criam de si uma imagem triste e, do alto da guarita em que se instalaram, não se apercebem que estão cada vez mais isolados, distantes e sós. falo de gente que amo, de gente que me é indiferente e falo, também de mim, pois não sou imune ao síndrome da auto-suficiência, longe disso! 

também sou dada, mas cada vez menos, a achar que sei como é que os outros devem viver a vida deles. por outros, entendam-se aqueles cujas vidas tocam directamente a minha. e se digo directamente é porque há muita gente cujas vidas tocam a essas, que me contento em ver passar e sobre cujas vidas não me dou sequer ao trabalho de formar opinião, embora por vezes as ache estranhas. estranhas para mim, que me rejo por um conjunto de valores que, quiçá, estejam fora-de-moda. mas a mim, servem-me. sempre me serviram e não arredo pé de determinadas posturas. com isto não quero dizer que não cometo erros, não faço asneiras e estou quase a ser canonizada. a verdade é que faço um monte de disparates todos os dias! 

por vezes gostava de ser como alguns irredutíveis da minha vida: ter tanta certeza de que estou no caminho certo que nada me faça arredar pé. depois penso, entendo, sinto e vejo que apenas seguem um determinado rumo porque nada lhes é mais fácil, habitual e, afinal, o eterno recomeço se tornou fácil e conhecido, enquanto que a construção é um terreno desconhecido e que os apavora e, enquanto o caminho não chegar ao fim, é por esse que seguirão, até onde tiverem que chegar, por mais que eu faça, diga ou sinta (e já nem faço nem digo, só sinto)! e sinto-me triste! tão triste! e grata pelo milhão de incertezas que me assolam todos os dias.

 

em resumo: aprendi com os irredutíveis da minha vida que cada qual tem que fazer o seu caminho até ao fim e, que se os amo, apenas me resta manter um espaço aberto, para onde sabem que poderão sempre sempre voltar. isto, sem prejuízo da minha vida. fácil não será. mas é bom chegar aqui. 

era bom lembrar-nos que, de cada vez que esticamos um dedo para apontar ao outro, pelo menos três dedos da mesma mão, apontam na nossa direcção... e só eu sei o quanto já apontei dedos injustamente e me arrependo disso! 



irredutível 
(i- + redutível

adj. 2 g.
1. Não reduzível.
2. Que não se pode decompor.
3. Que não pode voltar ao seu lugar ou estado primitivo.
4. Indomável.
(Priberam)

irredutível  
Invencível.

Ex: Tentei convencê-lo, mas ele está irredutível.

(Dicionário inFormal)


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sobre estados de alma e outras insignificâncias... :)

"If you are lucky enough to find a way of life that you love you have to find the courage to live it."
John Irving



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