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Habita-me

27.11.16

Habita-me, faz-me casa e faz-te rio em mim. Corre-me pelas veias, alimenta os meus dias, riacho manso de prata ao luar, cascata branca, imensa, intensa, pura. Força. Terra firme que me sustém e me alicerça. Folha de Outono que me aconchega e me amortece a queda. Habita-me.

Habita-me, planta generosa e perfumada de jasmim. Enlaça-me nas tuas guias, prende-me, protege-me (de mim), insinua-te e inebria-me, rasga-me, enfeita-me e retém-me em ti. É Primavera, desaperta-me, desperta, deixa-me ir e saber voltar. Deixa-me habitar em ti. 

 

 

habitamemim.jpg

 

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As palavras dos outros

27.11.16

As palavras dos outros são por vezes aquelas que gostaríamos de ter dito, escrito. Aquelas que, mais que tudo, quereríamos ter sabido alinhar assim e que dizem tanto e que dizem quase tudo...como eu não teria sabido. E que fazem, apenas, todo o sentido. 

 

Encontra-me
Procura-me. (e por favor) Encontra-me. Estou naquele lugar que toda a gente conhece, mas ninguém sabe onde fica. Tu sabes onde eu estou. Eu não. Habita os meus dias. Aqueles. Que acontecem totalmente em mim. Apenas por dentro. Em garfos. Sob os cascos do tropel de mil cavalos.

Olha bem para mim.

Não sejas como o espelho que se enfastia. As suas imagens têm travo a carne seca. A ideias gastas. Desilusão de vida. Língua que mordo. Portas que batem sem se abrir. Sentimentos espalhados pela rua, que a chuva leva.

Se soubesses…

Não são os dias que são sombrios. Não são os sons que são tristes. Não são as flores que murcham nem as palavras que me prendem. SOU EU! Eu é que existo a ferros. Sou todo espinhos. Peso. Noite. Em tempestade(s). Gastas.

Continua aqui

 

Obrigada FP

 

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sobre o tempo, talvez

25.11.16

tenho tido vontade de escrever, vislumbres de palavras que me acenam lá do fundo da cama, me fazem querer acordar mais cedo, ideias, nascidas como sempre de qualquer sopro de vento, vontades, tantas que todas ficam adormecidas comigo até à hora do levantar obrigatório...

quis escrever sobre aquilo a que nos prendemos, coisas e pessoas, sobre a falta que nos fazem a luz e o calor do sol, sobre o frio que regressa e convida a ficar em casa, enroscada com os gatos...tanta coisa para dizer sobre coisas tão importantes e só me apetece contar-vos que já escolhi todas as receitas para as bolachas de Natal que, como não sei se irei a Lisboa até lá, já encomendei à Maria o que não encontro aqui, e que este ano lá fiz marmelada com um toque de especiarias e ficou mesmo muito boa. Não ficou nada vermelhinha. Mas está bonita, muito saborosa e fica bem com todos os queijos que havia cá por casa, do mais elementar fresco ao manchego ou ao roquefort. 

 

Chove a potes, parti o meu jarro térmico que tinha há anos (tantos quantos por cá temos Ikea) e estou com dificuldade em lhe arranjar substituto. Apetece-me chá, pão de nozes com marmelada e tempo para ficar a ver a chuva pela janela.

 

IMG_5696.JPG

 

 

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again...

16.11.16

if you can be anything....choose to be kind... 

bekind.jpg

 

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Music after a concert...

12.11.16

sparks, treasures, something to hold on to on days like today, and yesterday, and all the days I can't smile....old  voices, new voices...close your eyes and listen...

 

 

Lyrics: Vincent 

 

 

Lyrics: Sittin'on the dock of the bay

 

 

 

Lyrics: Te amaré

 

 

Lyrics: Quién

 

 

Lyrics: Nuit

 

 

 

 

Lyrics: Evidemment

 

 

 

Lyrics: Por um dia

 

 

Lyrics: A rima mais bonita 

 

 

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Summer is gone...

17.10.16

...the days end coldly and shiny water drops lay on the flowers in the morning...the chairs look at the moon from under the porche and lazy blankets wake up on the couch every morning...nature goes back in, slowly...e já cheira a lenha queimada e a canela, fumega o chá nas canecas...alinham-se as abóboras à soleira da porta, as janelas embrulham-se em cortinas pesadas...I wish I could find that perfect house...on that perfect spot...and calmly wait for the winter to arrive, looking at the moon from my bedroom window...

 

Autumn_Lights_Festival_Oakland-S.jpg

autumn music

 

 

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Notas soltas à esquina dos 44

04.10.16

Ainda não sei qual o meu propósito na vida, se é que há um propósito para a minha vida. Talvez aos 45...

 

A família, a minha família, é felizmente maior do que os laços de sangue indicam. E é, na maioria das vezes, na família que escolhi que encontro suporte e conforto. E alike minds. 

 

Sou mãe como sou pessoa: tenho uma certeza inabalável de que tudo vai correr bem. Por vezes esqueço-me de coisas, preocupo-me com disparates, zango-me e grito e desbarato. Tenho um filho lindo, com bom coração e bons princípios, parece-me. O miúdo é algo egocentrico e um tanto ensimesmado...eu também. Umas ensinam-se outras aprendem-se. Algumas correm-nos nas veias. Poderia fazer melhor? 

 

Quando cheguei aos 35 anos, larguei tudo: emprego seguro, vila pacata, família. O importante não era o dinheiro; era a satisfação, o gozo de fazer algo que me preenchesse, o desafio. Aos 44, se tivesse oportunidade de escolher, ia pelo dinheiro. É com ele que se fazem as coisas que nos dão prazer, e todas as necessárias. 

 

Se olhar de cima, vejo-me como uma mulher interessante: minimamente culta, divertida, (ir)responsável, independente, (des)complicada. Se alargar o olhar, sou uma girafa dentro de um charco com patos...I don't belong here... 

 

São as trivialidades diárias que mais me pesam. As repetições. Lavar. Arrumar. Todos os dias. Sempre as mesmas coisas. Os horários que me são impostos. Repetir vezes sem conta. 

 

 O que mais me cansa são as tensões, indecisões, pescadinhas de rabo-na-boca, as queixinhas nha-nha-nha e gente que chora de barriga atulhada! 

 

Não sei em que acredito nem se de facto acredito em alguma coisa. Acredito na influência da lua, dos elementos da natureza. Numa força que mantém inteiro o universo como o entendemos. No poder da fé (não, a fé não é uma coisa de religiões). 

 

Não acredito que todos os seres humanos são bons. Há pessoas más. 

 

Parece-me, às vezes, que atravesso a vida numa espécie de dormência. Há dentro da minha cabeça mil mundos dos quais me alimento enquanto faço por ignorar as realidades deste mundo: a maldade, a vaidade, o estado das nações. 

 

Já não escrevo poesia há anos! 

 

Ainda sonho com "aquele" homem. Mas à medida que o tempo passa, refina-se-me o gosto e diminui-se-me a capacidade de aceitação. A coerência é requisito fundamental e a maioria traz no corpo e na alma o caos. Para arrumar basta-me a minha casa, obrigada. 

 

I need to constantly ground myself: my mind flies too easily away from the present, creating such a wonderful future...in my mind, only! Ainda preciso de aprender a trabalhar no agora para criar esse maravilhoso futuro.

 

Detesto estar sozinha, acho que a vida é para ser partilhada, vivida numa cúmplicidade intricada. Adoro estar só e liberta dos constrangimentos inerentes a um relacionamento. Dicotomia, dicotomia...

 

"some call it magik" não passa de um sonho, se o pudesse materializar agora, nenhum detalhe ou pormenor lhe faltariam. Mas já não sei se terei a força necessária para o fazer acontecer. 

 

A confiança em si, l'aplomb para os franceses, poise para os ingleses, é frequentemente confundida com arrogância. Vivo rodeada de gente pequenina cujas próprias vidas não lhes chegam...e de gente maravilhosa cuja beleza me passa ao lado por viver tão frequentemente dentro de mim. 

 

Happy Birthday to me! 

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ai...

19.09.16

às vezes tinha saudades. saudades do ir. da despedida. saudades do voltar. e deitada no banco debaixo do alpendre, fechava os olhos e lembrava. e sentia. e por uns minutos voltava lá. e era o calor. e o olhar. e era o cheiro...exatamente como se lembrava. mas a vida depressa a ia buscar àquele abandono, àquela segunda via da vida que ela guardava com cuidado entre as dobras do sonho. da única vez que tinha tardado em ir buscá-la foram dias, quase semanas de lágrimas ao canto do olho e de suspiros entrecortados. agora ia logo buscá-la. era um gato que lhe saltava para as pernas, uma amiga que se lembrava de telefonar, os vizinhos de verão que "não podiam deixar de a cumprimentar". e então a saudade ficava a meio. não havia despedida. as palavras ficavam penduradas e a ausência mais crescida...

 

 

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ser assim

19.09.16

Há entre mim e o mundo uma névoa que impede que eu veja as coisas como verdadeiramente são – como são para os outros. Sinto isto.

Fernando Pessoa

 

 

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choveu

13.09.16

choveu até bastante e eu não dei por nada. De manhã quando saí para passear o cão, de chinelos e casaco por cima da imensa camisola de pijama, senti frio. Parece ter chovido muito mas está tudo sujo. Cheira a fim de verão. Sinto-me, mais uma vez, só.

A chegar ao fim de um ciclo sem ter a noção clara de quando ou de onde começou. Escolhi estar sozinha. Parece que há dias, assim de chuva e coisas sujas, em que a companhia me teria sabido bem. O colégio ainda não afixou horários, não sei que materiais vamos ter que comprar, não me apetece conduzir à chuva. Hoje trabalho em casa. 

Estamos ambos desolados, o dia e eu. Apetece-me um abraço.

Estou cansada de ser só eu. 

 

 

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sobre estados de alma e outras insignificâncias... :)

"If you are lucky enough to find a way of life that you love you have to find the courage to live it."
John Irving



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No luxury and no comfort, no delight and no pleasure, no new liberty and no new discovery, no praise and no flattery, which we may enjoy on our journey, will mean anything to us if we have forgotten the purpose of our travels, and the end of our labours (Isaiah Berlin)

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